Domingo, 06.09.09

Aspectos Gerais

Tornou-se conhecido em 1875 na Califórnia (EUA) com origem provável em Tahiti; estabeleceu-se, definitivamente, no sul do estado da Flórida.

Entre os principais produtores mundiais de limas ácidas encontram-se o México, Estados Unidos da América, Egito, Índia e Brasil.

 

No Brasil, com plantios acima de 40 mil hectares, o limão Tahiti tem grande importância comercial; os estados maiores produtores são: São Paulo com 70% e Rio de Janeiro com 8% da produção nacional.

 

A Bahia, situada entre os cinco maiores produtores nacionais, tem as regiões econômicas do Litoral Norte e Recôncavo Sul como maiores produtores do limão Tahiti. Sua área plantada está acima de 1.000 hectares (1990).

Botânica/Descrição/Composição

O limão Tahiti é propriamente uma limeira ácida conhecida por Citrus latifolia, (Tanaka), Dicotyledonae, Rutaceae.

 

Com porte médio a grande a planta é expansiva, curvada, vigorosa; as folhas adultas têm cor verde e são lanceoladas e as folhas novas e brotos tem cor purpurea. A floração ocorre ao longo do ano (principalmente setembro e outubro); os frutos são ovais, oblongos ou levemente elípticos, casca fina, superfície lisa e cor amarelo-pálida na maturação. Estão maduros em torno de 120 dias após a floração; as sementes são raras ou ausentes.

 

O suco representa 50% do peso do fruto; tem teores médios de 9% (brix), acidez em 6%, 20 a 40 mg de ácido ascórbico (Vit. C).

Usos do Limão Tahiti

O suco do limão Tahiti é usado em culinária, na limpeza e preparo de alimentos (carnes, massas, bolos, confeitos) e no preparo de refresco - limonada.

Em medicina caseira o fruto é utilizado como auxiliar no tratamento de gripes e deficiência de Vit. C.

Óleo da casca do fruto é aromático.

Necessidades da Planta

Clima

Temperatura deve estar entre 26 e 28ºC (25 a 31ºC) as chuvas em torno de 1.200 mm anuais

(1.000 - 2.000) bem distribuídos (120 mm mensais), a umidade relativa do ar entre 70% e 80%. Em locais com ventos fortes tutorar a planta.

Solos

Solos mais adequados para o limão Tahiti são os leves, bem drenados, arejados, profundos, sem impedimento para penetração da raízes. Solos areno-argilosos (de arenoso a levemente argiloso) são preferidos, pH entre 5,5 e 6,5. Topografia plana a levemente ondulada.

Implantação do Pomar

Mudas

Devem resultar de enxertos sobre limão Cravo ou limão Rugoso que proporcionam crescimento rápido, boa produção, frutos de qualidade e maior tolerância à seca embora sensíveis à podridão radicular.

 

Os enxertos sobre tangerina Cleopatra são aceitáveis. A muda, de indiscutível qualidade, deve ter procedência e sanidade garantidas, enxertia feita a 25-30 cm de altura, possuir três a quatros ramos (galhos) a 60 cm do solo e raízes desenvolvidas, sem estarem enoveladas.

Preparo da área

Consiste na roçagem destoca e enleiramento do mato; essas operações devem ser feitas 5-6 meses antes do plantio.

 

Em seguida efetuar aração e gradagens; em caso de aplicação de corretivo do solo em área total aplicar metade da dose antes da aração e a segunda metade antes da 1ª gradagem.

Marcação/Espaçamento

Nivelado o terreno efetua-se a marcação da área; para o Nordeste do Brasil adota-se os espaçamentos de 7,0m x 6,0m e 7,0m e 5,0m. Em plantios extensos dividir o pomar em talhões de 10.000 a 20.000 plantas (quadras de 3.000 a 5.000 plantas) com corredores para caminhões.

Coveamento/Adubação

As covas podem ser abertas à mão ou com implementos, devem ter dimensões 40 cm x 40 cm x 40 cm a 60 cm x 60 cm x 60 cm; na abertura separar a terra dos primeiros 15-20 cm de altura.

Em caso de não haver recomendações (decorrentes de análises de solo) para calagem e adubação, aplicar 1 kg de calcário dolomitico ao fundo de cada cova cobrindo-o com um pouco de terra; misturar 50 g de cloreto de potássio com 200 g de super fosfato simples e 10 litros de esterco de curral bem curtido à terra separada e lançar em cada cova.

Plantio

O plantio deve ser feito em horas frescas do dia ou em dias nublados com o solo úmido. Deve -se usar régua de plantio para bom alinhamento. Ajusta-se a muda na cova de modo que o colo da planta fique ligeiramente acima do nível do solo e os espaçamentos entre raízes cheios com terra. Após plantio fazer uma "bacia" em torno da muda regar com abundância sem encharcar e cobrir solo com capim seco (sem sementes) ou com palha.

Tratos Culturais

Controle de Ervas Daninhas

O cultivo do solo, controle de ervas pode ser feito com grade (2 operações/ano) na época seca e com ceifa do mato na época de chuvas. Em cultivos irrigados no semi-árido usa-se roçadeira nas entrelinhas e herbicidas na projeção da copa. As plantas devem ser "coroadas" sempre que houver mato alto (com enxada).

Irrigação

A irrigação aumenta a produção e eleva a qualidade do fruto; no semi-árido a irrigação é indispensável. Os sistemas de irrigação mais utilizados são os de aspersão e o de irrigação localizada (gotejamento, microaspersão) que aplica água em geral abaixo da copa da planta. Sulcos, bacia de inundação temporária são outros métodos. Nos cerrados maiores produtividades foram obtidas utilizando-se sistema de gotejo a cada metro (120 l água/planta em turnos de rega de 4 dias). Em regiões úmidas a irrigação pode elevar a produção em 35% a 75%.

Culturas intercalares

Cultivo intercalar é prática em pequenas/médias propriedades; pode-se usar leguminosas (feijão de porco, leucena, crotalaria) ou abacaxi, amendoim, batata doce, feijão, mandioca, milho, no pomar jovem do limão Tahiti.

As culturas intercalares devem ter baixo porte e ciclo curto, e situar-se a distância de 1,5 - 2 m da linha de plantio do limoeiro.

Podas

Devem reduzir-se à eliminação de galhos secos, doentes ou praguejados e nascidos abaixo do ponto de enxertia.

Adubação

60 dias após plantio recomenda-se aplicar 50 g de uréia/planta repetindo-se 30-40 dias após.

A partir do 2º ano recomenda-se as seguintes doses, em gramas/planta (para a Bahia):

Para deficiências de zinco e manganes recomenda-se pulverizações foliares com solução composta de 300 g. de sulfato de zinco, 300 g. de sulfato de manganes, 300 g. de cal em 100 litros de água.

Pragas

Orthezia

Orthezia praelonga (Doug., 1991) Homoptera, Ortheziiae.Também chamada cochonilha de placas; tem corpo provido de placas ou lâminas cereas com cauda alongada que acumula ovos; eficiente sugador o inseto injeta toxina na planta ao sugar a seiva e sua excreção estimula aparecimento da "fumagina" (cobertura escura) nas folhas. Mudas, vento, vestimentas disseminam o inseto. A praga é mais prejudicial no período seco e expolia a planta, atacando folhas e frutos.

O controle é efetuado pela aplicação de inseticidas sistemicos granulados aplicados ao solo em torno da planta a 10 - 15 cm de profundidade. Observar o período de carência do produto químico. Entre os indicados cita-se aldicarb, dissulfoton, carbofuran.

Escama-Farinha

Pinnaspis aspidistrae (Sing, 1869) Homoptera, Diaspididae.Cochonilha com carapaça, ataca tronco e ramos que apresentam coloração esbranquiçada. A sucção da seiva da planta pelo inseto causa rachadura na casca e facilita a penetração de agentes de doenças (gomose).

Controle via pincelamento de tronco e ramos com o seguinte preparo: 1 Kg (enxofre molhável), 2 Kg de cal, 0,5 Kg de sal de cozinha, 15 g. de diazinom ou 35 g. de malatiom e 15 litros de água.

Ácaro-da-Ferrugem

Phyllocoptruta oleivora (Aslm. 1879), Acari, Eriophyidae.Infesta folhas, ramos e frutos causando nestes cor prateada à casca além de àspecto aspero; os frutos apresentam tamanho, peso e percentagem de suco reduzidos. As folhas podem desenvolver doença (mancha de graxa). Em infestação severa há queda acentuada de folhas e frutos.

Controle, efetuar controle quando 10% de frutos apresentarem 30 ou mais acaros. Acariciadas à base de dicofol, quinometionato ou enxofre molhável são indicados para o controle.

Coleobroca

Cratosomus flavofasciatus (Guerin, 1844) Coleoptera, Curculionidae.Inseto adulto é besouro preto com faixas amarelas no tórax e asas. Ovos são depositados no tronco e ramos; a lagarta esbranquiçada penetra, cava galerias no sentido longitudinal e expele serragem, em forma de petalas, pelo orifício de entrada.

Controle feito pela injeção de calda inseticida via orifício utilizando-se formicida liquido, gasolina, querosene, ou pasta de fosfeto de alumínio (que libera gás). Após aplicação fechar orifício com cera de abelha, argila ou sabão.

Cochonilha Cabeça de Prego

Crysomphalus ficus (Aslmd., 1880) Homoptera, Diaspididae.Importante na fase jovem do pomar a cochonilha tem forma circular, convexa, cor violácea. Períodos secos com alta temperatura favorecem a multiplicação do inseto. Localiza-se na face inferior das folhas e nos frutos, suga seiva e liquídos e deprecia os frutos comercialmente.

Seu controle é feito por pulverizações com produtos químicos à base de óleo mineral a 1% ou óleo mineral + inseticidas fosforados (diazinom, malatiom, paratiom).

Doenças

Causadas por vírus, fungos, bacterias e distúrbios fisiológicos.

Tristeza: (Vírus)

Planta apresenta redução no crescimento já nos viveiros. Em galhos ou ramos, retirando-se sua casca, observa-se caneluras (riscos). Folhas novas com nervuras polidas e frutos com diametro reduzido (coquinhos).

Controle

Uso de borbulhas vindas de plantas imunizadas.

Exocorte: (Vírus)

Crescimento limitado, vegetação esparsa e folhas com coloração de pouco brilho. Doença transmitida por enxertia ou ferramentas contaminadas (canivete, tesoura de poda).

Controle

Uso de borbulhas comprovadamente sadias.

Gomose: (fungo)

Doenças das mais prejudiciais em regiões tropicais úmidas; lesões pardas aparecem na base ou colo da planta, nas raízes e galhos baixos, com exsudação de goma pelo fendilhamento. Mais adiante ocorre apodrecimento dos tecidos.

Controle

Usar variedades resistentes, enxertia alta, facilitar aeração da base da planta e drenagem do terreno, usar de fungicidas sistémicos (fosetyl-Al) em pulverizações ou pincelamento do tronco.

Declínio: (distúrbio fisiológico)

Murchamento irreversível da folhagem, demonstração de deficiência de manganês e zinco em níveis elevados, sem brotações; depois há queda de folhas, morte de ponteiros.

Controle

Uso de porta-enxertos diversificados.

Colheita

O material deve ser: sacola de colheita (20 kg), feita de lona com fundo falso, cestos e caixas plásticas para 27 kg. Evitar retirar frutos com varas ou ganchos, frutos molhados ou orvalhados, derrubar frutos ao solo, frutos excessivamente maduros ou verdes. Usar tesoura cortando o pedúnculo, rente ao cálice. Não machucar os frutos na colheita e transporte.

Produção

Precoce, a limeira ácida Tahiti apresenta produção significativa a partir do 3º ano de vida; no Recôncavo Baiano um pomar aos 4 anos produz produz 107.000 frutos hectare (300 frutos por planta). Aos 11 anos de vida a produção alcança 1.128 frutos/planta (113 kg) ou 403.000 frutos/hectare.Pomares paulistas produzem 8-15 kg/planta (3º ano), 64 a 86 kg/planta (5º ano) e 98-117 kg/planta (7º ano).

 

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

EMBRAPA - CNPMF
Limão Tahiti - Aspectos Econômicos e Técnicas de Cultura
Circular Técnica nº 13, jan/1991
Cruz das Almas - Bahia

EDITORA AGRONÔMICA CERES LTDA
Manual de Entomologia Agrícola
Domingos Gallo e Talli
São Paulo, SP - 1978

EMBRAPA - SPI - FRUPEX
Lima Ácida "Tahiti" para Exportação
Brasília - DF - 1993

SECRETARIA DA AGRICULTURA DA BAHIA
Frutas: A Caminho de um Grande Mercado
Salvador - Bahia - 1996

EDITORA ABRIL S/A
Guia Rural Plantar - 1991
São Paulo - SP

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publicado por investweb às 23:03 | link do post | comentar | favorito
vivere all'estero a 29 de Março de 2010 às 16:12
muito interessante! Eu uso o limão para dor de garganta e ele funciona!
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